O PREÇO DA CLANDESTINIDADE É A MORTE, E QUEM GANHA COM ISSO?

 

Para cada vigilante legalizado no Estado, há três ilegais.

Fonte: Jornal A Tarde – 03/11/2007

 

 

A morte do soldado da Polícia Militar Cândido Mamédio da Conceição Neto, 41 anos, que realizava o serviço de segurança clandestino na Rua Direta de São Gonçalo do Retiro, trouxe à tona a discussão sobre os riscos da contratação dos vigilantes ilegais e os prejuízos financeiros para o Estado com a prática ilícita.

Para se ter uma idéia, a Bahia deixa de arrecadar R$ 300 milhões em impostos federais, estaduais e municipais com os 150 mil seguranças clandestinos que trabalham nas ruas do Estado, seja em comunidades carentes, seja nos bairros classe média/alta de Salvador. O número é três vezes maior que o de profissionais legalizados (50 mil homens). Por outro lado, há no Estado um déficit de 18,3 mil policiais militares e civis.

Segundo dados do Ministério da Justiça, a Bahia, no ranking de policiamento ostensivo – a cargo da Polícia Militar –, é o nono pior, entre os 26 Estados brasileiros e o Distrito Federal. Os dados têm reflexos no dia-a-dia da população, que cada vez mais recorre aos seguranças clandestinos buscando prevenir ocorrências de violência: faltam, nas ruas da Bahia, 15 mil PMs e 3.379 agentes civis para termos o efetivo estipulado por lei.

O secretário da Segurança Pública, Paulo Bezerra, reconheceu que, para se chegar à quantidade limite, são necessários 42 mil militares e não os pouco menos de 28 mil atuais. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), é preciso haver um policial para cada 250 habitantes: na Bahia, a média é de um policial para cada 487 cidadãos.

Clandestinos –  Contudo, o que pode parecer uma solução para minimizar os problemas com a violência pode custar caro. Tentando sanar essa falta de policiamento, a dona-de-casa Marília Pires da Silva, 58 anos, paga R$ 60 por mês para manter um segurança clandestino fiscalizando sua residência. O serviço começou a ser prestado na rua há oito meses e atende 18 de 20 moradias.“Antes do segurança já fui assaltada duas vezes e meu filho sofreu um seqüestro relâmpago. Se o Estado não pode pagar minha segurança, eu mesmo tenho que bancar”, argumenta a mulher.

O que ela não sabe é que está correndo riscos contratando os serviços ilícitos. “Eles não são preparados para atuar. Não são cadastrados e, muitas vezes, nunca pegaram em uma arma antes. Sem falar que se eles matarem alguém, quem vai responder é a associação ou o grupo de moradores que o contratou”, esclareceu Odair Conceição, presidente do Sindicato das Empresas de Segurança Privada da Bahia (Sindesp-BA).
Questionado sobre a legalidade de seus serviços, um clandestino que presta serviços no Caminho das Árvores (Pituba) garantiu ter tantas condições de realizar o trabalho quanto o legalizado. “Já espantei muito assaltante aqui com meu cacetete”, disse, orgulhoso, o segurança, mostrando uma barra de ferro, encostada na cadeira de onde acompanha o movimento.Ações clandestinas são comuns por toda a Grande Salvador e foram facilmente flagradas pela equipe de reportagem nos bairros da Boca do Rio, Itaigara, Jardim Armação, Piatã, Patamares e Itapuã.


Institucional – Segundo representantes da Federação Nacional das Empresas de Segurança e Transporte de Valores (Fenavist), as empresas de seguranças privadas geram 600 mil empregos diretos no Brasil, postos distribuídos em 120 empresas.O número de seguranças de todo o País é uma vez e meia o efetivo das forças públicas destinadas à segurança nacional (Forças Armadas, Secretaria Nacional de Segurança Pública e Polícia Federal). Apesar de alto, o número dos legalizados corresponde a apenas um terço dos 1,8 milhão seguranças que atuam em cerca de 500 empresas clandestinas que atuam em todo o País, segundo dados da Federação Nacional das Empresas de Segurança.

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