UMA VERGONHA SOTEROPOLITANA

Sexta-feira, 23 de Novembro de 2007  

Jornal Tribuna da Bahia 

PF prende acusados de fraudar licitações públicas

 

   Agindo em nome da “Operação Jaleco Branco”, policiais federais prenderam na manhã de ontem um grupo de 17 pessoas acusadas de fraudar licitações públicas na Bahia, entre elas empresários que atuam também em Brasília, Alagoas, Maceió e Rio Grande do Sul. A operação contou com o apoio do Ministério Público Federal, INSS e Receita Federal, e teve início às 6 horas, com o objetivo de buscar documentos e prender os envolvidos nas supostas fraudes. Durante a ação, 200 agentes federais de Brasília foram mobilizados, cumprindo 18 mandados de prisão e 40 de busca e apreensão, expedidos pela ministra do Superior Tribunal de Justiça (STF) Eliana Calmon.
  Os acusados de participar do chamado G8 – grupo de oito empresários que comandariam o serviço público na Bahia – são
Marcelo Guimarães, Jairo Barreto de Almeida e Clemilton Rezende.
Segundo a PF, eles foram detidos por participarem de uma organização que há mais de 10 anos vem se especializando em fraudar contratos e licitações públicas de secretarias de Estado e de outros órgãos públicos. “Estima-se que o rombo dos cofres supera R$ 638 milhões”, afirmou um delegado da capital federal que ajudou a coordenar a operação. Desde 2005 que a PF vinha investigando os passos do grupo. A operação teve inicio com o desmembramento das operações Navalha e Octo-pus. A polícia suspeita que o grupo agia há mais de 10 anos. Os envolvidos foram presos em suas respectivas residências pelos agentes e levados para a sede da Polícia Federal, em Água de Meninos, na Cidade Baixa. Alguns nomes dos envolvidos não foram divulgados para a imprensa.
  Contudo, sete dos detidos foram identificados:
Antônio Honorato de Castro, ex-presidente da Assembléia Legislativa e atual presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE); Marcelo Guimarães, ex-presidente do Esporte Clube Bahia e ex-deputado estadual (PL-BA); Anna Guiomar, procuradora geral da Universidade Federal da Bahia (Ufba); Élcio Andrande Junior, ex-diretor geral da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e quem coordenaria as licitações do órgão; Jairo Barreto de Almeida, conhecido como “Barão” e proprietário de restaurantes e empresas de segurança; Clemilton Andrade, proprietário de empresa de segurança e limpeza, e Afrânio Matos, apontado como laranja de Marcelo Guimarães, proprietário da empresa Postdata.

  O suposto esquema criminoso contava com a participação de servidores públicos e de diversos órgãos, como o INSS, Receita Federal, prefeitura de Salvador e secretarias do Estado da Bahia e Sergipe. Os servidores teriam participado das fraudes emitindo certidões negativas, além de forjarem situações que levavam o Estado e municípios a fazerem contratações imediatas, sem a necessidade de licitações. Os envolvidos serão levados para a Superintendência da PF em Brasília, onde irão prestar depoimento ainda esta semana e ficarão à disposição da Justiça.
  De acordo com informações da Policia Federal, 25 empresas já foram identificadas como fraudadoras de licitações públicas, entre elas a Postdata (especializada em terceirização, que presta serviço ao SAC) e a Ascop, que atua no segmento de vigilância eletrônica, com sede no bairro de Pernambués.
Ontem pela manhã, quando os agentes federais chegaram ao local,
o fiscal da Ascop Antônio Rodrigues foi detido por se recusar a abrir os portões, e, depois de interrogado, foi liberado.(Por Silvana Blesa e Karina Baracho)

  

Vice-reitor ficou "estarrecido"

 

   Após as prisões, os advogados dos detidos foram para a sede da Polícia Federal. Fernando Santana, advogado de Antônio Honorato, fez questão de ressaltar que desconhece as acusações que levaram à prisão de seu cliente. “Nem ele mesmo sabe o motivo”, afirmou o advogado. O chefe da Delegacia de Defesa Institucional da PF de Brasília, Rodrigo Bastos, à frente das investigações, não permitiu apresentar os detidos para a imprensa.
  O proprietário das Faculdades de Tecnologia e Ciências (FTC) Gervásio Oliveira está com mandado de prisão em aberto e até o fechamento dessa edição ele não havia sido encontrado. Especula-se também o envolvimento do ex-secretário municipal de Administração Pública, Luis Carlos Café. Dezoito automóveis, quase todos importados, foram apreendidos, além de uma grande quantidade de “valores”, informou o delegado, não querendo definir os “valores”. Um mandado de prisão ainda não pôde ser cumprido, mas a polícia não informou o motivo, apenas salientou que a operação vai continuar. “Acreditamos que muito mais empresas estão envolvidas”.
  O vice-reitor da Ufba, Francisco Mesquita, destacou que ficou estarrecido com a prisão de Anna Guiomar. “O trabalho dela é normal, nunca imaginamos uma coisa dessas”. De acordo com ele, a universidade só irá se pronunciar sobre o caso depois que a Procuradoria Geral da União der um parecer nas investigações.
  Segundo Fabiano Pimentel, advogado de Marcelo Guimarães, “tudo que foi feito pela policia terá que ser provado. Eles estão com prisão temporária decretada e isso não pode ultrapassar cinco dias”. Acrescentou que irá até Brasília acompanhar o seu cliente. “Hoje, estamos trabalhando com o intuito de revogar essa prisão”, concluiu. Dois delegados da Divisão Executiva de Inteligência (DEI) da PF de Brasília vieram participar da operação.
(Por Silvana Blesa e Karina Baracho)

 


  

Deputados avaliam a ação

 

   A “Operação Jaleco Branco”, realizada ontem em Salvador pela Polícia Federal, e provocando escândalos, não chegou a surpreender ao divulgar os nomes de alguns dos acusados, já conhecidos por serem alvo de investigações. A própria suspeita da PF aponta que há mais de 10 anos havia uma organização especializada em fraudar contratos e licitações públicas de secretarias e outros órgãos públicos.
  Na avaliação do deputado federal do DEM José Carlos Aleluia, a polícia agiu com ordem judicial, o que é inquestionável por se tratar de uma ação legal, porém ele acredita que a operação “se tornou um espetáculo. A PF está dentro do estado de Direito, mas a ação se torna um espetáculo na medida em que expõe a imagem das pessoas acusadas, quando ainda se está investigando. Não estou defendendo ninguém, mas acredito que, neste caso, existe um constrangimento social”, justificou o deputado. Aleluia frisou ainda que não questiona a ação, que ela é correta, legal e necessária, mas que não se pode, na democracia antecipar a punição. “É uma antecipação da condenação. Em alguns países são omitidas as identidades das pessoas que estão sendo investigadas, até que exista a condenação. E se alguns conseguirem provar a inocência? O sentimento que fica é de exagero, porque eles penitenciam antes de provar”, considerou Aleluia.
  Já o deputado estadual do PT Yulo Oiticica pondera que ainda existem poucos elementos para que seja concretizada uma opinião. “O que se sabe é que já existia uma suspeita muito grande, há muito tempo sobre todas essas acusações. O DCE da Universidade Federal da Bahia, por exemplo, já tinha denunciado a situação algumas vezes. Então, precisamos aguardar as confirmações. Se ao final da investigação for constatada a veracidade das suspeitas, já era para ter feito essa operação há mais tempo.
  Afinal, seriam 10 anos de envolvimentos criminosos”, concluiu o deputado estadual. (Por Priscila Melo)

 

Anúncios

About the post

Informe Geral

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s