Quem fala, morre. Quem cala consente.

Duda da Bahia

 

A cidade do salvador, esta atravessando um momento muito delicado com estas ondas de violência que vem assustando os pacatos soteropolitanos, que ainda não se acostumaram com este clima violento. A falta de policiamento ostensivo também tem colaborado com os ocorridos em vários pontos da cidade e região metropolitana. A estrada velha do aeroporto e a estrada do derba são conhecidas áreas de desova e nunca as autoridades tentaram coibir esse ato criminoso que vem se alastrando pela cidade do salvador. Já é normal durantes os finais de sema ser executados de 20  a  35 pessoas um numero muito alto que tende a piorar se nada for feito.

 

 

 

Segunda-feira, 10 de Março de 2008  

 

Em cada 10 mortes, sete são causadas pelo tráfico

 

Por Karina Baracho

 

   “O tráfico é o responsável pela grande maioria dos homicídios que acontecem aqui. Nós o combatemos ao máximo, para dar mais tranqüilidade a população”. A afirmação, do delegado titular da 5ª Delegacia de Polícia, em Periperi, Deraldo Damasceno, é verdadeira e traduz a realidade da maioria dos bairros de Salvador onde o tráfico domina e apavora a população. E os números destacam este domínio: sete em cada dez homicídios estão relacionados ao uso ou tráfico de drogas. Apesar da ameaça ser constante, a população se cala, por medo. Quem fala, morre.
  No subúrbio ferroviário de Salvador a situação não é diferente. “Se isso não parar não sei onde vamos chegar. Todo o mundo sabe onde são os pontos de vendas, mas infelizmente o medo impera. Eu, por exemplo, tenho uma filha e temo por sua vida”, disse uma diarista moradora de Periperi, que pediu para não ser identificada.
  O mal que afeta as localidades do subúrbio ferroviário é o mesmo que deixa em pânico os moradores do Brongo do IAPI, São Caetano, Cosme de Farias, São Cristóvão do Aeroporto, Bairro da Paz e Baixa da Égua, dentre inúmeros outros bairros.
  Neste contexto, tiroteios, incêndios, assaltos e mortes, fazem parte do dia-a-dia. Este é o clima que impera na Baixa da Égua, um local humilde incrustado entre a Avenida Vasco da Gama e a Federação. De acordo com a população, o tráfico de drogas tomou do lugar. “Não temos mais vida própria, ficamos à mercê dos traficantes. Eles ditam as regras aqui”, relatou um morador. E ainda está muita viva na lembrança da população a cena dantesca de uma casa incendiada por traficantes, há poucas semanas. A casa seria residência de um traficante que estava sendo procurado por inimigos. Como não o encontraram, atearam fogo na casa, não dando a mínima para o fato de que na residência estavam mulheres e crianças. Por milagre, todos escaparam.
  A manicura Ana Cláudia Santos, 29 anos, que se mudou da Baixa da Égua para outro bairro “mais tranqüilo”, destaca que o medo faz com que a população se cale. “Eles (os traficantes) dominam toda a área, fazem o papel dos governantes. Se alguém precisa de um médico, eles providenciam e ainda dão cestas básicas”. Conforme ela, isso dá uma “segurança” a população, que deveria ser dever do Estado.
  Escondido pelo anonimato, um morador relata que “depois das 21 horas ninguém pode ficar nas ruas e becos do local. Outro dia meu filho estava na porta de casa e um deles, que estava usando um burucutu, (máscara de pano com orifício no lugar dos olhos), o chamou pelo nome e o mandou que entrasse, pois o lugar ia feder”.
  Tanto policiais lotados na 41ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), da Federação, como na 7ª Delegacia de Polícia, do Rio Vermelho, informam que os responsáveis pelos tráfico na área Kleber da Nóbrega, o ‘Kekeu’ e José Henrique da Conceição, conhecido como ‘Henrique’. A dupla é remanescente da quadrilha de Eberson Souza Santos, o ‘Pity’, morto em confronto com a polícia o ano passado. Eles continuam foragidos.

  

População fica presa em casa

 

   ; O bairro do IAPI, também sofre com os tiroteios, que estão se tornando frequentes em decorrência do tráfico de drogas. “Minhas filhas ficam presas em casa o tempo todo. Nasci e me criei aqui, mas se pudesse já teria ido para outro lugar”, ressalta um morador que também preferiu não ser identificado. Ele destacou que os traficantes conhecem toda a população também das redondezas. “É impressionante como sabem os nomes de todo o mundo”.
  Na semana passada um tiroteio, no ‘Brongo’, localidade do IAPI, matou três pessoas e feriu um policial militar reformado que estava num bar próximo. O policial foi baleado na boca, socorrido e internado no Hospital Ernesto Simões Filho, onde foi operado. Ele se recupera bem do trauma.
  Uma moradora do ‘Brongo’, destacou o perigo em chegar tarde na residência. “Fico temerosa em descer quando escurece. É comum escutarmos tiros durante a noite. De manhã tem sempre gente morta por aqui”.
  Salientou ainda a falta de policiamento, por parte da 2ª Delegacia de Polícia, na Liberdade e pela 37ª CIPM, responsável pelo policiamento ostensivo na região. “O pessoal da 2ª DP só vem quando tem briga de vizinho ou para fazer levantamento cadavérico. Quando vamos na delegacia à noite ela está sempre fechada”, desabafou.
  Moradores do São Caetano também sofrem com o aumento do tráfico, que toma conta do bairro. “Vendem drogas à luz do dia, até na frente de crianças”, relatou uma pessoa que preferiu não ser identificada temendo represálias. Conforme ela, os traficantes intimidam a população. “Ficam todo o tempo fortemente armados. Ligam o som alto e ficam na frente das casas sem respeitar horários”.

 

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