Falando sobre Rádio Metrópole 101.3 FM e 1290 AM – Rádio, Jornal e TV

 

Citação:

Tem pessoas que nunca saíram do seu estado e se acha no direito de falar que o Brasil é o pior do mundo  e e ainda  tem o descalabro de dizer que nos países  estrangeiros não tem favelas e nem pobres. É melhor eles lêem  esse texto de Sebastião Neri.

 

Rádio Metrópole 101.3 FM e 1290 AM – Rádio, Jornal e TV

Em 1996, uma bomba terrorista explodiu bem perto do Hotel Argentine onde eu estava, ao lado da Avenue Foch e do Arco do Triunfo, no alto da Avenida “Champs Elysées”, dentro do “Drugstore”, um mini-shopping com boutiques, restaurante, café, livraria, farmácia, jornais.

Na mesma hora, um carro preto, de chapa diplomática, parado em frente, saiu às carreiras do local. Alguém anotou a placa. Há sempre alguém anotando as placas. Não é só a Abin nem a Polícia Federal.

O CORONEL
Imediatamente a polícia francesa foi atrás da placa. E encontrou a placa e o dono da placa, dentro da embaixada brasileira, não muito longe dali, na Albert Iº, em cujo túnel, bem em frente, a bela Diana se espatifou.

Era o carro do Adido do Exército brasileiro aqui na Franca, bravo e pacifico coronel. Estava entrando no “Drugstore” para comprar revistas, quando a bomba estourou lá dentro. Fez o que tinha de fazer. Saiu às pressas para a embaixada, contou ao embaixador Carlos Alberto Leite Barbosa.

SÃO BERNARDO
São Bernardo de Claraval (Clairvaux), com esse ambiguo nome de poeta e de cão, consagrado orador sacro e pregador religioso francês (nasceu em 1091 e morreu em 1153), fundou sua Ordem e construiu seu mosteiro sobre as montanhas nevadas dos Alpes, nas curvas da estrada entre Aosta, onde os papas passam férias de verão, esquiam e tomam seus vinhos, e o Mont-Blanc (4.800 metros), cujo túnel junta a Itália, a Suiça e a França através de 12 iluminados quilômetros no coração da rocha.

Era um ferrabrás. Poderoso com os Papas que ajudava a eleger, escrevia tratados, em um latim magnífico, como se fossem Encíclicas, dando ordens à Igreja, aos bispos : – “De Moribus Episcoporum” (“Sobre os Costumes dos Bispos”), definindo os deveres dos bispos.

E foi um professor de Bush. Sofismou a Teologia para defender “a santidade da guerra contra os não-cristãos”, abençoando as Cruzadas em um tratado clássico sobre a “Guerra Justa” : “De Laude Novae Militiae” (“Louvor da Nova Milícia”), criando regras militares para os Templarios.

GUERRA SOCIAL
Aqui em Paris, São Bernardo continuou sinônimo “dos bons costumes”. Sua velha igreja fica entre Clichy e Pigalle, santuário da dança, do show-erótico, do streep-tease e do pecado. E dos imigrantes miseráveis.

Ali, em 96, vi centenas de refugiados africanos se abrigarem e fazerem uma dramatica greve de fome, que traumatizou a França, para não serem expulsos de volta para a África, em vôos-charter, um por semana, lotados de imigrantes banidos: 15.500 em um ano.
– “Só fica quem tiver filho francês”, disse o ministro do Interior Jean Louis Debré aos jornalistas e à “Liga dos Direitos do Homem”. Não adiantou nada. A Europa deu filhos mas não deu empregos.

Nove anos depois, em 2005, novamente vi filhos daqueles negros, e muçulmanos, e asiáticos, e latinoamericanos, desempregados, incendiarem as periferias pobres de Paris: Clichy, Neully, Bondy, Aulnay, Tremblay, os “y” da pobreza, que são as Rocinhas, Marés, Morros do Alemão, Cantagalos, Pavãozinhos, os subúrbios desempregados e excluídos daqui. Mortos, presos, centenas de carros queimados e o fogo iluminando as TVs.

“ESCÓRIA”
As crises rasgam as entranhas dos governos. O primeiro-ministro de então, Vileppin, candidato preferencial de Jacques Chirac à sua sucessão em 2007, defendia a “negociação” e culpava discretamente a política de linha-dura do ministro do Interior, Nicolas Sarcozy, então tambem pré-candidato oficial. Sarcozy queria enfrentar os distúrbios “com mão de ferro”:
– “Eles são uma escória (sic). Eu respondo apenas a fatos concretos. Quem incendeia e atira não é desempregado, é criminoso”.

Durante séculos e séculos, a Europa usou, abusou, sugou, estuprou a África, suas riquezas, suas gentes, seu futuro. Hoje, cospem o caroço.

“FIGARO”
Agora, na batalha das Olimpíadas de 2016, a Europa pôs outra vez suas unhas de fora. Quando Chicago e Tóquio foram eliminadas, a “grande imprensa” européia jogou pesado contra o Rio e o Brasil para impor Madri.

E não foram só os jornais e televisões espanholas. Aqui na França, as TVs e o “Figaro”, o maior jornal do pais, tentaram derrubar o Rio no grito:

– “Rio, a cidade maravilhosa, tristemente (sic) celebre por seus problemas de transportes e de segurança” (Roman Schneider).
– “Rio de Janeiro, Capital Abandonada” (Sebastien Lapague)
– Jean Pierre Languellier, correspondente, escreveu uma “Carta da America do Sul” : – “A Longa Marcha dos Cariocas”. E contou a historia de Sandra que mora em Nova Iguaçu, “cidade dormitório” (sic) e trabalha em Ipanema, distante três horas de viagem, insinuando que é o tempo que os atletas olímpicos vão ter que gastar para chegar aos estadios. E que o “legado social” deixado pelos Jogos Panamericanos foi chôcho (“mince”).

“LE MONDE”
“Le Monde”, jornal mais importante e mais serio, também bateu:
– “O Rio é uma megalópole bela, festiva, caótica e violenta”.
Esqueceram que a bomba terrorista foi ao lado do Arco do Triunfo e não no Leblon. Que as Torres Gêmeas derrubadas não foram a do Rio-Sul. E que o trem explodido por bombas foi em Madri e não na Central do Brasil

Sebastião Nery é jornalista
http://www.sebastiaonery.com.br

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