Uma Entrevista Com o Diabo

JOÃO HENRIQUE

 
 

Foto: Tiago Melo/BN
 
"Comparar a arrecadação do Rio de Janeiro com a de Salvador, você vai ver que o ministro Geddel promoveu a justiça cidadã. Eu defendo o que Geddel fez. Não foi nada de errado"

 Por Rafael Rodrigues

Bahia Notícias: Salvador está preparada para o período de chuvas?

João Henrique: Começamos a Operação Chuva já tem alguns meses. Desde 1º de março nós decretamos a Operação Chuva, e quero dizer com isso que a prefeitura está em alerta com relação a chegada das chuvas na cidade. Agora com a chegada do secretário Euvaldo Jorge, a gente fez um processo com o comando mais centralizado da operação. Ele hoje concentra e comanda com mãos de ferro a Codesal, a Transalvador, a Sucop e da própria Setin, da qual é secretário, que são as instituições que atuam mais diretamente na operação chuva. Recebemos também do Ministério da Integração Nacional recursos razoáveis para preparar a cidade para a chuva. Alguns alagamentos crônicos que Salvador tinha a mais de 40 anos, hoje já não existem mais. Locais onde a água não sobe mais um metro e meio quando chovia, e consequentemente atrapalhando muito o trânsito da cidade. Em relação a áreas de alto risco, a gente tem procurado, apesar de ser muito difícil, tirar as pessoas que moram nessas áreas. É muito difícil. As pessoas resistem em sair, mesmo a gente pagando aluguel para elas irem para uma área mais segura.

BN: A Prefeitura oferece o pagamento do aluguel para as famílias saírem das casas?

JH: Nos meus cinco anos eu venho tentando convencê-las. Inclusive todos foram notificados pela Sucom. Temos notificação assinadas por elas, em que reconhecem implicitamente que ocupam áreas de alto riscos, de alta vulnerabilidade, mas não querem sair daquelas localidades, dizendo que a chuva vai passar, e o sol vai voltar. Não é assim. É em uma chuva dessas mais forte que as vidas podem ser dizimadas. Mas vamos partir agora para uma ação mais forte ainda, talvez até usando um pouco da força da Guarda Municipal, para convencê-las, sobretudo com o que aconteceu agora no Rio de Janeiro.

BN: Como a força da Guarda poderá ser usada?

JH: Os argumentos usados pela Guarda Municipal, eles são mais bem treinados do que a média do funcionalismo público. A junção dos funcionários da Codesal, com os argumentos dos cursos que os guardas municipais tomaram antes de vestir a farda, serão argumentos mais fortes para a gente convencer as pessoas para que saiam das áreas de alto risco. Argumentos, não é força policial.

BN: Salvador atualmente está mais bem preparada para o período de chuvas, se compararmos com o início de seu governo?

JH: Hoje está. Cinco anos atrás, quando cheguei aqui, as mortes eram em série, quando tinha chuva dessa natureza. Hoje não. Com esses investimentos todos que o Ministério da Integração Nacional encaminhou para Salvador, seja para a contenção de encostas, escadarias drenantes, limpeza de canais. Na Avenida Centenário a água subia 1,5 metros. Hoje pode chover até 80 mm de chuva e Centenário suporta. Quando cheguei não suportava 30 mm. A Avenida Oscar Pontes, em frente à Feira da Água de Meninos, também não suportava 30 mm em uma hora de relógio, mas hoje suporta até 80 mm. O Imbuí, o Parque da Cidade, pode chover até 80 mm.

BN: Qual sua posição sobre esse debate nacional em torno da aplicação de 65% das verbas do Ministério da Integração Nacional para prevenção de desastres na Bahia?

JH: Salvador é a terceira capital em população. Eu tenho 3 milhões de habitantes, e tenho R$2,9 bilhões de Orçamento, o sétimo do país. Agora orçamento per capita, vou para o 25º lugar, só ganho de Palmas, no Tocantins. São R$ 900 por ano por habitante. No Rio é o dobro, R$1,9 mil. São Paulo, o triplo, R$2,7 mil. Comparar a arrecadação do Rio de Janeiro com a de Salvador, você vai ver que o ministro Geddel promoveu a justiça cidadã. Eu defendo o que Geddel fez. Não foi nada de errado. Assim como eu na Prefeitura trabalho mais para as áreas mais pobres, eu acho que o que Geddel fez foi isso. Equilibrar um pouco os desequilíbrios regionais. Nós do nordeste somos muito, ao longo dos séculos, prejudicados pela concentração da renda no centro-sul. Como se já não bastasse, todo presidente da República sai de um certo compromisso do centro-sul. São Paulo, Rio e Minas. Com exceção de Fernando Collor, e mesmo assim o vice foi mineiro, os últimos presidentes saem sempre desse compromisso. Na medida que um ministro baiano chega lá, vê sua cidade, que tem uma geografia e um relevo que nada contribuem com o escoamento das águas, pelo ao contrário, então o que ele fez foi equilibrar um pouco esse estúpido desequilíbrio sempre em favor do centro-sul. No lugar dele, teria feito a mesma coisa. Geddel trabalhou mais para os mais pobres. Tinhamos alguns alagamentos crônicos que sem essa verba eu não teria resolvido. Centenário, Imbuí, Vasco da Gama, vamos começar agora o alargamento e a cobertura do canal, Vale do Canela, que estamos começando agora também, Parque da Cidade, Oscar Pontes, Canal da Aliança, vou começar o canal da Suburbana.


"O metrô, ele, por conceito, deve ser de uma precisão de tal forma milimétrica que não dá nem tempo das pessoas irem ao banheiro. (…) Então, se der tempo de ir ao banheiro, é porque o metrô está funcionando mal, não está bem sincronizado" 

BN: Depois de sucessivos descumprimentos do prazo de conclusão da obra do Metrô, devido a paralisações na obra, o senhor tem evitado dar novos prazos, mas ao mesmo tempo sempre diz que só faltam 2% da obra para que entre em funcionamento. Do que depende então para o metrô começar a funcionar?

JH: Falta o Pátio de Manobras, o solo mole, a eletrificação da linha, os equipamentos finais, como escadas rolantes e elevadores para os terminais. Só isso que falta. Só que isso aí não é pouca coisa. Dá em torno de R$ 20 milhões. O recurso tem, tá em caixa. Agora precisa do entendimento entre a CBTU e a CTS. Porque estava havendo, estava porque semana passada eu acho que dizimei essa dúvida, diferença de interpretação. A CBTU interpretava o acórdão do TCU de forma que não concordava na totalidade em a gente usar essa verba para esses quatro itens que faltam. Mas a CTS, que é a nossa, da Prefeitura, entendia que o acórdão permitia sim.

BN: Estão incluídos aí os sanitários?

JH: É polêmico. Em várias estações de metrô do mundo não têm sanitário. O metrô, ele, por conceito, deve ser de uma precisão de tal forma milimétrica que não dá nem tempo das pessoas irem ao banheiro. Eu morei em Montreal. Estudei lá, fiz minha pós-graduação em economia lá. Chegava ao metrô, tinha que sair correndo e pegar outro metrô. Então, se der tempo de ir ao banheiro, é porque o metrô está funcionando mal, não está bem sincronizado. Entretanto, as grandes estações tem banheiro. Então a gente vai pegar dessas estações, as grandes, que são Lapa e Acesso Norte, que com certeza vão ter banheiro. As intermediárias, que não vai ter nem tempo de ir ao banheiro, vamos seguir o modelo europeu. É que o CQC, ele confundiu as coisas. Só deve ter banheiro em grandes estações, onde você leva mais de 10 minutos entre um transporte e outro.

BN: Por que o senhor não recebeu a equipe do CQC para dar essas explicações?

JH: Foi um dia que eu estava tão ocupado, e como eu sei que a natureza da abordagem deles é muito mais para humor, para ironia, eu estava tão ocupado naquele dia, que eu não pude me dar o luxo de passar um pouco de tempo com humor, com ironia, estava muito ocupado com coisas muito sérias.

BN: Ficou faltando para todo o Brasil, então, as explicações, por exemplo, para essa questão do banheiro…

JH: É verdade, mas eu também só vir ter a informação depois que o CQC levantou o problema, que eu fui pesquisar e aí chegou a informação.

BN: A projeção da própria Prefeitura é de que se a tarifa do metrô não for subsidiada, extrapolará R$10. Esse é um dos impedimentos para que o metrô seja inaugurado?

JH: Não. Já existe previsão por parte do Município, e uma pressão da Prefeitura sobre o Governo Federal.  Então eu fiz a minha pequena previsão para botar o metrô para funcionar no primeiro momento, com a prefeitura arcando as despesas, por seis meses.

BN: Qual será o impacto financeiro desses subsídios nas contas da prefeitura?

JH: O secretário da Fazenda está levantando. Esses seis meses, ele não vai operar em plena capacidade, porque tem a chamada fase de teste e experiência. É uma exigência de quem vendeu os trens do metrô.

BN: E passados os seis meses, como vai ficar?

JH: Aí o Governo Federal vai ter que assumir esses subsídios.

BN: E já existe algum compromisso do Governo Federal para tanto?

JH: Tem uma sinalização de simpatia. Por enquanto, de simpatia. Porque eles vêem que realmente a Prefeitura não vai agüentar segurar o metrô mais do que seis meses em operação. Estou treinando meus técnicos em São Paulo, tanto para a administração quanto para a operação do metrô. Quem administra o metrô lá é o Governo do Estado, uma companhia paulista de trens que quem banca é o governador. O único metrô municipalizado é o de Salvador. O que estou fazendo é o seguinte. Não é o suficiente, mas é algo razoável. Me preparando para uma operação em caráter experimental durante o período de seis meses, em que alguns passageiros serão transportados, mas não na capacidade máxima. Até porque eu estarei em fase de testes e experimentos, então nessa fase não se recomenda que os trens estejam com capacidade máxima de lotação. Porque peso, estabilidade, curvas, trilhos, tudo isso vai ser testado. Então o subsídio dos seis meses vai ser razoável.

BN: A previsão é manter a tarifa no mesmo nível de preço do ônibus?

JH: É para manter mais ou menos no nível. Agora claro que o metrô você tem outros serviços que o ônibus não tem. Vamos convir aqui o que a Casa Civil da Presidência da República, a Miriam Belchior, disse para a gente muito claramente, ‘vocês não podem querer ter o mesmo preço do ônibus’. Porque no metrô você tem ar condicionado, segurança presencial, câmeras, velocidade de 80km por hora, que os ônibus não tem, tem as pistas exclusivas. Aqui é outro serviço.

BN: A 1ª etapa era de 12 km, que ia da Lapa até a Estação Mussurunga. Agora, repartido em dois trechos, vai somente até o Acesso Norte, que não é bem um fim de linha, mas um ponto estratégico que interliga várias vias da cidade. Mas são poucas as pessoas que sairiam da Lapa para ir ao Acesso Norte. Como tornar viável, útil para a população, o metrô?

JH: Toda a operação desses seis quilômetros será integrada com os ônibus de Salvador. Vamos ter grandes estacionamentos para ônibus ao lados das grandes estações do metrô. A estação do Acesso Norte vai ter um grande pátio para ônibus, para fazer o transbordo. Agora, por que seis quilômetros? Quem quebrou no meio? O Governo Federal. Tanto que o pátio de manobras e o solo mole estavam, no projeto original, no final da segunda estação. E hoje, consegui essa autorização nessa última semana em Brasília para fazer no Acesso Norte. É o retorno dos trens. Tive que antecipar um investimento que só iria fazer na Estação Pirajá.

BN: A previsão é transportar quantas pessoas por dia?

JH: Previsão de mais de 15 mil pessoas, no período de testes, por dia.
 


"Se meu pai fez toda a orla marítima, da Pituba até Itapuã, sem nenhum questionamento, é porque foi naquela época. Estou no quinto ano e o projeto orla está andando com muita dificuldade. A todo o momento a gente é parado para prestar esclarecimento, satisfações"

BN: A Ong Bahia Viva retirou um dos projetos de urbanização do masterplan Salvador Capital Mundial devido à pressões da imprensa, que cobrou a origem dos projetos. Teme que outros projetos sejam retirados?

JH: Retirou o Cidade Baixa, tanto que eu vim e tornei sem efeito o decreto de utilidade pública, e eu soube que a população da Cidade Baixa gostou muito, vibrou, comemorou, a retirada do nosso projeto de desapropriação. Agora eu não vou desistir não. Sou muito otimista com as coisas. Quero ver se mais adiante, depois de concluir outros projetos mais prioritários, como aqueles que são relativos à Copa do Mundo. Por exemplo, a Transalvador, que agora mudou de nome, é Transmetrópole, que é o corredor central da Avenida Paralela vindo de Lauro de Freitas até a Avenida Bonocô. Entronca com o Metrô e vai levar as pessoas para os jogos na Fonte Nova. Esse é prioritário. Outro é a orla marítima de Salvador. Passados os prioritários eu vou voltar a carga na cidade baixa sim. Vou ver se a Fundação Bahia Viva repensa e devolve o projeto, e aí o futuro decreto de desapropriação já vai ser mais criterioso.

BN: Para o senhor, a que se deveu esse recuo da Bahia Viva?

JH: Eu acho que ela não quis ver o nome dela estampado nas capas de jornal. Nem todo mundo tem esse costume que nós homens públicos temos, de estar com nossos nomes nos jornais, a gente já acostumou com isso. Mas o empresário privado, ele normalmente presa por uma privacidade em suas ações, então quando ver seu nome nos jornais, se retrai um pouco, é natural.

BN: A imprensa reclamou muito de uma dificuldade por parte da Prefeitura de divulgar o nome dos doadores de cada projeto.

JH: Todas as Fundações e Ongs foram divulgados. Eu faço um agradecimento no final para todos os doadores, mas se não tiver ‘essa doou esse’, eu mesmo posso dizer, qual fundação doou qual projeto. Essa ponte de Pituaçu, a Avenida Atlântica, foi Lelé, enfim, eu tenho como dizer quem doou qual projeto.

BN: O PAC-2 foi lançado pelo Governo Federal há poucos dias e está recebendo projetos. A Prefeitura enviou os projetos do Salvador Capital Mundial?

JH: Já determinei meus secretários de Infraestrutura e Transportes, e Planejamento e Desenvolvimento Urbano para que encaminhem os projetos. Tenho uma equipe aqui em meu gabinete que é de elaboração de projetos e captação de recursos em Brasília e no exterior, que já está coordenando com os demais secretários projetos para que Salvador seja contemplada no PAC-2.

BN: Acredita que consegue entregar a orla pronta ainda no seu mandato?

JH: Meu pai conseguiu em 4 anos. Claro que naquela época você não tinha o Ministério Público atuante como tem hoje. Não tinha essas Ongs, entidades do terceiro setor, e órgãos federais como Iphan, SPU, ou o Ingá, o IMA. Naquela época, 20 anos atrás, eles não tinham esse papel social que tem hoje. Hoje, oito anos não quer dizer muita coisa, por causa dessa quantidade de entidades que você tem que interagir. Eu acho extremamente correto, democrático, transparente, aberto, mas por outro lado, tudo na vida tem dois lados. Se meu pai fez toda a orla marítima, da Pituba até Itapuã, sem nenhum questionamento, é porque foi naquela época. Estou no quinto ano e o projeto orla está andando com muita dificuldade. A todo o momento a gente é parado para prestar esclarecimento, satisfações. Tenho como compromisso moral comigo, se meu pai fez, por que eu não posso dar continuidade? Eu quero pegar de Jardim de Alah e até a Praia do Flamengo. Eu creio, com compromisso moral com a população de Salvador, se o pai fez, porque o filho não pode fazer? Tenho esse desafio.

BN: Qual a posição do senhor em relação ao “projeto da mordaça”, de Paulo Maluf, que prevê punições aos promotores que cometerem “excessos”?

JH: Aí eu discordo de Maluf. O MP tem bom senso e conosco aqui na Prefeitura tem atuado com muita razoabilidade. Não tenho queixas.

BN: Sobre a base governista na Câmara Municipal. Parte saiu e formou um bloco independente, e fala-se nos bastidores sobre uma insatisfação em relação à Prefeitura.

JH: É natural. Eu já fui vereador de oposição e situação, fui deputado de oposição. O que eu noto é o seguinte, são fases. A gente está atravessando uma fase agora em que chegou uma nova Câmara de Vereadores. Essa nova câmara quer ser respeitada, o que é natural, quer ser ouvida. Eu vinha de um outro mandato com outra composição. Na hora que muda, é natural que os novos vereadores queiram agora uma atenção própria, específica para eles. E aí o prefeito tem realmente se situar que é um outro corpo de vereadores, e o prefeito às vezes não se situa bem nisso, mas tem que se situar. Apesar de meu mandato ter continuado, na Câmara não há continuidade. Houve uma renovação de 50%. Estou me situando já e tenho que chamar esses novos, dar audiência, dar conforto, atender, ouvi-los. Mas eu já estou fazendo isso.

BN: Como está a relação do senhor hoje com o DEM? A bancada deles saíram da base e os vereadores têm feito reiteradas críticas à Prefeitura. Como está a relação com o DEM, que apoiou o senhor no 2º turno em 2008 e compõe sua equipe de governo.

JH: Com a direção do DEM a gente tem o melhor dos relacionamentos, com o deputado ACM Neto, com o candidato a governador Paulo Souto, com os deputados federais. Com as vereadoras, realmente eu confesso que falta entrosar um pouco mais, falta estreitar um pouco mais as relações. Tanto Andréia Mendonça como a Tia Eron, são pessoas ótimas, gosto muito das duas. São pessoas educadas, respeitosas, gosto muito. A relação pessoal é a melhor possível. É preciso fazer um pequeno ajuste na relação política. Mas eu acho que é coisa para pouco tempo para ajustar essa relação política. Afinal de contas o próprio partido já apóia a nossa gestão. Agora buscar o apoio das vereadores é um de nossos desafios.

BN: Essa aproximação do DEM com o PMDB, inclusive, aconteceu na eleição do senhor, para Prefeito, em 2008. Acredita que essa aliança pode se repetir em um segundo turno, para a disputa pelo Governo do Estado, caso os candidatos dos dois partidos não o disputem?

JH: Aí é difícil prever. As eleições mudam, como as nuvens mudam no céu. Eu diria que prefiro aguardar para ver o que vai acontecer nas eleições.
 


"…eu acho que depois da Prefeitura de Salvador há de vir missões mais importantes e mais difíceis. É um teste. Deus vai testando a gente de acordo com a nossa capacidade de aceitar essas missões e responsabilidades".  

BN: Em 2012 o senhor acaba o segundo mandato e não pode concorrer a reeleição. Como planeja o seu futuro político? Já projetou a disputa pelo Governo do Estado ou uma vaga no senado em 2014?

JH: Ainda não, porque a cada dia é sua agonia, como diz a Bíblia. Mas o homem que nasce com a natureza política, que é o meu caso, a gente gosta de servir ao próximo, a gente gosta de ser útil, de ver o sorriso nas crianças quando a gente inaugura uma escolinha nova, um posto de saúde, uma pracinha em um bairro popular. É isso que nos realiza. O homem público é realizado por fazem bem aos outros e ter depois o reconhecimento ainda melhor. Então, eu acho que a pessoa nasce, ou não, assim. A pessoa que nasce com esse dom de servir ao próximo, ela sempre vai estar na política, com ou sem mandato. O que eu imagino é que quando eu estiver sem mandato, eu devo aproveitar para aperfeiçoar um pouco meus idiomas estrangeiros, uma coisa que eu sempre quis e me falta tempo e oportunidade. Melhorar mais ainda meu francês, que modéstia a parte, é muito bom, mas a falta de prática faz você ficar acanhado no utilizar da língua. Quero praticar meu francês e melhorar meu inglês e meu espanhol. Até porque meus próximos desafios pode ser que me cobrem. Meus desafios que Deus reserva mim no futuro, e na Bíblia diz que o melhor está sempre pro vir, então eu acho que depois da Prefeitura de Salvador há de vir missões mais importantes e mais difíceis. É um teste. Deus vai testando a gente de acordo com a nossa capacidade de aceitar essas missões e responsabilidades.

BN: Comenta-se nos bastidores do interesse do senhor em fazer sua esposa, a deputada estadual Maria Luiza Carneiro (PSC), a sua sucessora na Prefeitura. Existe essa possibilidade?

JH: Não, inclusive do ponto de vista legal é impossível. Há um impedimento legal. Por isso que de vez em quando você vê casais se separando, como a novela da Globo, que o marido e a mulher tiveram que se separar para ela concorrer a prefeitura. Mas é aquela separação que não convence ninguém. Então ela não pode  ser candidata porque eu sou prefeito. A lei proíbe.

BN: Como é sua relação, atualmente, tanto institucional como pessoal com o governador Jaques Wagner?

JH: Todas duas são muito boas, aliás, todas três. A institucional, a pessoal e a política.  Todos os três planos de relação são muito bons. Salvador é uma cidade que não á governada sozinha. Não tem prefeito que com essa baixíssima receita pública per capita consiga administra Salvador. A Prefeitura é de 417 cidades, porque todo o atendimento de saúde de média a alta complexidade você só encontra em Salvador. Determinados cursos universitários, de graduação, pós-graduação, mestrado, doutorado, também. Determinados empregos mais específicos, na área de tecnologia da informática, tecnologia da informação, só encontra em Salvador. Os empregos, de um modo geral, você encontra em Salvador. Agora está se indo buscar no interior da Bahia pedreiros, porque o boom da construção civil está no auge de forma que está faltando mão de obra. Fico feliz, porque o PDDU tem uma contribuição muito forte nisso aí. Eu vinculo essa explosão de empregos ao PDDU com toda a legitimidade. Sei que foi graças ao PDDU, vinculado ao bom momento econômico por que vive o Brasil, que a gente soube aproveitar, criando instrumentos urbanísticos locais, como o PDDU, que estimulam ainda mais o bom momento que o país vive. Fico muito feliz de ver isso acontecer.

BN: Mas voltando à relação do senhor com o governador…

JH: Sim, é uma relação boa, muito boa. Eu acho que são duas pessoas educadas, que se respeitam. As nossas esposas também se dão muito bem, Maria Luiza, Fátima, tanto que no natal nós tivemos a oportunidade, e no carnaval também tivemos novamente oportunidade de frenquentar o Palácio de Ondina, de desfrutar de bons momentos de confraternização. O natal é um momento de boa confraternização, o carnaval também o foi, de celebração do sucesso que foi o carnaval de Salvador, e nesses dois momentos, eu e minha esposa tivemos lá no Palácio de Ondina. Então eu acho que é preciso separar um pouco o palanque político da gestão. E o próprio governador tem dito isso, que da parte dele, republicano como ele é, ele tende a separar o palanque político da gestão. Isso tem sido feito, a população tem ganhado com isso. Hoje mesmo estamos vivendo um momento de apreensão com essas chuvas, e o governador ontem (7), por iniciativa própria, procurou a nós para propor um gabinete conjunto, de ação conjunta, e nós aceitamos e já tivemos a primeira reunião lá no comando da Polícia Militar, onde estavam vários órgãos do Estado e da Prefeitura. Isso sem contar com o apoio que temos permanente do ministro da Integração Nacional. Hoje é um baiano, João Santana, que foi meu secretário de Serviços Públicos. Então a relação é muito fluida, muito de confiança, de respeito. Graças a Deus a Prefeitura está com esses dois apoios que nos dá um certo conforto no enfrentamento das conseqüências das chuvas em Salvador.


"Hoje eu me sinto mais seguro, mais preparado, mais blindado para parceiros que porventura possam ter segundas intenções. Coisa que eu não tinha em 2005, lá atrás, em meu primeiro governo" 

BN: Então passou aquele mal estar criado no 2º turno da campanha em 2008, em que o senhor e o governador romperam politicamente, e o senhor expôs em seu programa eleitoral os pontos frágeis do Governo? Aquela situação que existia em 2008 já não existe mais?

JH: Não existe mais. Inclusive nós não atacamos, nos defendemos. Na verdade nos defendemos quando as pessoas procuravam o tempo todo atribuir problemas como Segurança Pública à Prefeitura. Todos nós sabemos que a segurança é uma responsabilidade direta do Governo do Estado, em uma perspectiva maior, é uma responsabilidade de todos. Mas do ponto de vista institucional, de uma esfera de poder, a Segurança Pública é da esfera de poder estadual. Então na campanha nós apenas esclarecemos, nos defendemos de que a Segurança não era responsabilidade direta da instituição Prefeitura. Foi só isso, uma defesa, não foi nem um ataque.

BN: Em um futuro político, o senhor considera a possibilidade de uma reaproximação com o PT?

JH: Olha, o futuro na política é difícil de prever. Eu diria que estou muito satisfeito no meu partido. Estou muito feliz no PMDB, onde há o reconhecimento do meu trabalho, dos meus esforços que tenho feito. O ministro Geddel tem prestigiado muito a Prefeitura, a ponto até de causar ciúmes a outras prefeituras do Brasil, como estamos vendo aí as colocações últimas da imprensa do sul, com certo ciúme. Com isso eu exemplifico a forma respeitosa que o PMDB vem me tratando e por isso eu não tenho nenhum motivo para buscar algum tipo de afastamento do PMDB.

BN: Minha questão não é sobre afastamento do PMDB enquanto seu partido, mas é porque em 2008 o senhor rotulou o PT como um partido de traidores, e disse que era um partido de “difícil relação”. Quero saber, por exemplo, se o senhor vier a ser governador do Estado, teria interesse ter uma reaproximação política com o PT?

JH: Para uma possível, eventual candidatura ao governador daqui a 4 anos, eu diria que vai se ter um programa de governo. Se neste programa houver a comunhão de interesses, pontos em comum, houver objetivos em comum de outros partidos para com o meu partido, eu não vejo dificuldade. O Aécio Neves governou Minas Gerais com uma ampla aliança de partidos porque havia compromissos comuns de governo, de propostas. Então, lá na frente, quando a gente puser, se eu for candidato a governador, eu tiver um programa que mesmo o PT, PCdoB, PSB, eles encontrem conforto nesse programa, não tem porque não.

BN: A questão política que o senhor tinha com o PT então está também superada?

JH: Eu acho que a Prefeitura de Salvador é uma faculdade de pós-graduação política, porque aqui você aprende na prática, no dia a dia, não é só na teoria. Hoje eu me sinto mais seguro, mais preparado, mais blindado para parceiros que porventura possam ter segundas intenções. Coisa que eu não tinha em 2005, lá atrás, em meu primeiro governo. Eu vinha de vinte anos de oposição, tinha experiência de ser oposição, mas não tinha de ser governo. Então naquele momento, aqueles aliados políticos que vieram, todos foram recebidos por mim igualmente com braços abertos. Claro que à medida que o tempo passa, você vai amadurecendo, ganhando cabelos brancos, ganhando maturidade e experiência, por mais generoso que seja o meu coração, por mais generosa que seja minha natureza humana, eu acho que a experiência ensina. E aí a gente vai estabelecendo limites, balizamentos para uma convivência pacífica que não leve a um início de governo como foi em 2005, muito tumultuado, com muitos interesses políticos conflitantes dentro da máquina, para um outro momento de governo onde você tenha mais segurança, mas tranqüilidade, onde você tenha um sexto sentido mais apurado, uma experiência política de gestão administrativa e executiva que não vai permitir aquele início de governo de 2005. Porque esses cinco anos e daqui para lá, oito anos, você aprende. Até porque se você não aprender está assinando um atestado de…

BN: O TCM ordenou que o senhor devolvesse aos cofres públicos 189 mil e mais 4 mil de multa por ter utilizado a publicidade como autopromoção em 2008.  Qual a posição do senhor em relação a essa decisão?

JH: A devolução do valor maior é ao secretário de Comunicação, não é ao Prefeito. Ao prefeito foi imputado uma multa de R$4 mil, mas mesmo essa multa eu já estou recorrendo através da minha procuradoria jurídica geral do município. Houve uma mensagem de boas festas e feliz ano novo, foi uma gravação. Uma coisa que teve um parecer favorável da minha procuradoria que eu poderia aparecer na televisão como o presidente Lula aparece, desejando feliz ano novo. Por analogia, como o presidente sempre aparece, minha procuradoria entendeu que o prefeito também poderia aparecer. A defesa é nesse sentido, para mim e para o secretário.


"Chegou ao ponto que a convivência do ex-presidente da fundação já estava ficando insustentável com os próprios funcionários e também com alguns artistas e intelectuais da cidade".  

BN: Sobre o desentendimento do senhor com o ex-presidente da Fundação Gregório de Matos, Antônio Lins. Ele enviou à imprensa uma carta que diz ter encaminhado ao senhor, mas teria ficado sem resposta, denunciando supostas “contas superfaturadas, contratação de empresas irregulares, contratações ‘fantasmas”. Algo foi feito para apurar o que disse Lins?

JH: Essa carta foi encaminhada ao secretário de Educação.  Eu nem a li. Por falta de tempo encaminhei ao secretário, porque a fundação é vinculada, no organograma da Prefeitura, à Secretaria de Educação e Cultura. Encaminha e carta, mas chegou ao ponto que a convivência do ex-presidente da fundação já estava ficando insustentável com os próprios funcionários e também com alguns artistas e intelectuais da cidade. De forma que, diante da insustentabilidade, nós o comunicamos da sua saída, que foi de certa forma barulhenta, mas me parece que as coisas já se acomodaram. Nomeamos o secretário Carlos Soares para interinamente responder pela fundação, enquanto buscamos outro nome, que seja, de preferência, gestor. Estamos buscando nome que não seja apenas intelectual, mas que seja além. Os órgãos da Prefeitura precisam de gestores, que conheçam direito administrativo, a burocracia, que conheçam os procedimentos.

BN: E quanto às denúncias que Antônio Lins fez à imprensa, a Prefeitura está apurando?

JH: Eu creio que sim. Porque lá na Secretaria de Educação tem uma ouvidoria. Eu tenho certeza que essa carta que eu encaminhei ao secretário Carlos Soares deve está sendo observada com todo o zelo, com todo o carinho por parte da ouvidoria da Secretaria. Confesso que depois que eu passei para o secretário, até por falta de tempo, não me detive sobre o conteúdo da carta. Eu nem abri.


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