Cajazeiras no papel – a idéia do bairro

 

Citação

Cajazeiras no papel – a idéia do bairro
 
Fonte: http://www.cajazeirasba.hpg.com.br/projeto.htm


D iante do déficit habitacional de Salvador, cuja população crescia rapidamente com a instalação dos pólos industriais: Centro Industrial de Aratú – CIA, e o Complexo Petroquímico de Camaçarí – COPEC, o Governo do Estado da Bahia através da Companhia Estadual de Desenvolvimento Urbano – CEDURB, empresa vinculada à Secretaria do Saneamento e Desenvolvimento Urbano, e com o apoio do Banco Nacional da Habitação – BNH, decidiu ultrapassar a fase dos conjuntos habitacionais tradicionais que eram isolados e de pequeno porte, e partiram para procurar soluções de maior escala que, dariam uma nova cara a estrutura da cidade. Sendo assim, pensava-se de grandes intervenções que permitiriam fixar a nova população sem desequilibrar a malha urbana, criando equipamentos de serviços e comércio de maior porte criando um sub-centro regional, que estrategicamente posicionado, consolidaria os núcleos já existentes (Sete de Abril, Presidente Castelo Branco e Pau da Lima) somado ao Projeto Narandiba e Cají, consolidando assim a faixa leste do miolo, ao longo do eixo viário constituído pela Avenida Luís Viana Filho – Paralela, evitando a hipertrofia do centro de Salvador. Com este propósito escolheu-se prolongar os núcleos urbanos de Sete de Abril e Presidente Castelo Branco, situados na parte Oeste do miolo, a proximidade da BR-324., forçando assim, a expansão em direção ao CIA e ao COPEC, e integrava-se ao DINURB e a bairros proletários como Pau da Lima que, junto com Castelo Branco e Sete de Abril, que perfaziam um total de 50.000 habitantes.

AS DESAPROPRIAÇÕES
Para realizar esta integração o governo do estado iniciou em 1975 o processo de desapropriação, por meio de decreto estadual, das terras de três grandes fazendas: a Fazenda Jaguaripe de Cima, também conhecida como Fazenda Grande, a Fazenda Cajazeiras, a Fazenda Boa União e a Chácara Nogueira. Ao todo foram desapropriados um total de 16 milhões de m², absorvendo áreas na BR-324, na altura do Supermercado Makro, até o Km 5,5 da Estrada Velha do Aeroporto, limitando-se com os bairros de Castelo Branco e Nova Brasília e atravessando o Golfe Clube. Nascia assim o Projeto Urbanístico Integrado Cajazeira.
A maior fazenda, a Jaguaripe de Cima, no passado foi adquirida em junho de 1858 pelo coronel Francisco José Matos Ferreira Lucena. Esta a vendeu para Manoel de Anunciação Torres, que através de adjudicação, em junho de 1875, a transferiu para Manoel Leucádio de Jesus, um de seus filhos. As terras pertencem hoje a D. Honorata de Jesus, de 80 anos, na condição de herdeira, mas há disputa na justiça.

CARACTERÍSTICAS DO PROJETO
Esta área foi escolhida para o projeto devida à sua localização tendo-se como base o objetivo antes esclarecido, integração dos diversos núcleos habitacionais instalados nas proximidades e sendo mais uma alternativa para o surgimento de um centro regional de comercio e serviços, proposto na margem da BR-324, em Águas Claras. Nesta área deveria ser construída também a Via Recôncavo que teria a função de prolongar a Via Aratú até os novos núcleos habitacionais. Mas a área onde iria ser implantado o projeto caracterizava-se por um relevo ondulado, constituído por um conjunto de colinas dissecadas. Estas colinas, com altitudes relativas em torno de 50m, apresentam topos esbatidos, mais ou menos estreitos, e encostas com declives acentuados. E com os vales de fundo achatado relativamente estreitos e profundos, com vertentes fortemente dissecadas.
Com uma vegetação dominante a floresta tropical subpereneifólia, formação exuberante, hoje é raramente encontrada em sua forma primitiva.
Tendo em vista estas características físicas na área de estudo e considerando que o plano urbanístico prevê exclusivamente habitações populares, os núcleos habitacionais forma localizados em áreas com declives inferiores a 20%, situados nos topos das elevações. Isso se justifica devido a elevada susceptibilidade à erosão que apresentam áreas com declividades maiores de 20%, onde a intensidade dos processos erosivos, tanto dificulta a execução das obras de infra-estrutura indispensáveis ao sucesso do empreendimento, apresentarão custos elevados, incompatíveis com o caráter do plano que se destina a população de baixa renda.
Seguindo o padrão usado na implantação do Conjunto Presidente Castelo Branco, a primeira opção foi a de ocupar primeiro os espigões e cumeadas com a instalação de vários bairros, semi-autonomos, podendo-se utilizar as áreas com declividade máxima de 20%, evitando assim custos adicionais com contenção de encostas e de drenagem; as áreas com declividade menor de 20% nos fundos dos vales, seriam utilizadas para a implantação à longo prazo, e as outras áreas com declividade superior a 20% deveriam ser mantidas como proteção das encostas; Com cada espigão ocupado, o sistemas viário foi planejado em nível hierárquico (vias locais, vias coletoras e vias regionais) e interligando os conjuntos ao Conjunto Castelo Branco; Para se obter uma distribuição das atividades comerciais e de serviços, a proposta era implantar um sistema de centros comerciais e de serviços de nível local e vicinal para cada um dos bairros, dotando-os de um grau de auto-suficiência; E a criação de um espaço urbano voltado para o pedestre e ainda área de estacionamento para os futuros moradores.
Seguindo esta lógica, projetou-se sete bairros, cada um com um centro local de comercio e serviços e equipamentos sociais, tais como escolas, igreja, cinema, postos de saúde e policial, etc. todos ligados entre si pela malha viária principal. E ainda com reservas de áreas para implantação progressiva de supermercado, feira livre, correio, posto telefônico, escolas, auditório, biblioteca pública, lojas, bancos, etc.
Alem deste centro, de maior porte, previu-se no interior da área um sistema de centros comerciais e de prestação de serviços a nível local e vicinal, equipados em função da população a que se destinam. Os de nível local ficariam nos centros dos bairros como mercado, açougue, farmácia, armarinhos, etc. e o de nível vicinal deveriam ficar nos centros dos núcleos habitacionais, como pray-ground, praça, bar, padaria, etc. Próximos às vias e aos córregos deveriam instalar os campos de futebol, quadras de esporte polivalente, que integrarão os bairros, isso depois de construída as estações de tratamento de esgotos. E as áreas impróprias para a ocupação habitacional, seria destinada ao uso industrial, margeando a futura Via do Cobre (Ligação Paripe – Piatã).
Previu-se que a região composta por Castelo Branco, Sete de Abril, Pau da Lima e Cajazeira chegaria a uma população estimada em 100.000 pessoas, levando em conta uma pesquisa sócio-econ6omica e de acordo com as densidades admitidas para cada um dos bairros projetados. Assim , a área destinada ao projeto foi configurada em sete bairros:

Bairro 1

6.309 habitantes

Bairro 2

7.097 habitantes

Bairro 3

12.455 habitantes

Bairro 4

6.194 habitantes

Bairro 5

7.242 habitantes

Bairro 6

6.518 habitantes

Bairro 7

11.015 habitantes


Daí, começou-se a definir a implantação do projeto, com as seguintes etapas:
Primeira etapa (bairro 1, 2 e parte do 4)
Utilizando áreas do Governo do Estado e da Prefeitura Municipal do Salvador, abrange o bairro 1 prolongando Castelo Branco e estendendo o sistema viário, constituindo a via coletora (hoje são as Cajazeiras IV e V).O bairro 2 denominado de Fazenda Grande (próximo a Mussurunga), que seria interligado a parte do bairro 4 e a Castelo Branco pela Vias coletoras 2 e 3.
Segunda etapa (bairro 3, 7 e parte do 4)
Área que pertence parte ao Governo do Estado e parte a já desapropriada Chácara Nogueira (Águas Claras).
Terceira etapa (bairro 5)
Áreas também do Governo Estadual que possuía algumas casas de taipa que foram aproveitadas em um programa de renovação urbana, mantendo a população atual.
Quarta etapa (bairro 6)
É mais distante, área da prefeitura, mas só pode ser iniciada após a conclusão das outras etapas e da malha viária.
Após muitas reflexões e estudos decidiu-se que para a primeira etapa de implantação do Projeto Cajazeira, somente 90 ha (32,14%) dos 280 há disponíveis puderam ser utilizados, pois tinha uma declividade inferior a 20%. Foram repartidos da seguinte forma:

Área de lotes 44,90 ha 49,80%
Sistema viário 18,60 ha 20,60%
Equipamentos comunitários 12,40 ha 13,70%
Áreas remanescentes 7,70 ha 8,50%
Áreas verdes 6,66 ha 7,40%


Quanto aos padrões habitacionais escolhidos, foram distribuídos da seguinte maneira:

Apartamentos 15%
Casas isoladas ou geminadas 63%
Sobrados geminados 22%

 

Fonte:
Scheinowitz, A. S. , o Macroplanejamento da Aglomeração de Salvador; Secretaria da Cultura e Turismo do Estado da Bahia, EGBA – 1998; Projeto Urbanístico Integrado Cajazeira, Governo do Estado da Bahia, 1977; Secretaria Municipal do Planejamento e Meio Ambiente – SEPLAM; Fundação Mário Leal Ferreira – FMLF; Companhia de Desenvolvimento Urbana do Estado da Bahia – CONDER; Arquivo do Jornal A Tarde; Arquivo do Jornal Correio da Bahia.

 

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