importantes avenidas – Gal Costa, Assis Valente e a Via Regional

Segunda-feira, 4 de Junho de 2007

 

Enquanto muitos proprietários de veículos enfrentam diariamente o trânsito congestionado e a falta de vias de acesso, principalmente ligando os corredores de tráfego às diversas regiões e bairros de Salvador, três importantes avenidas – Gal Costa, Assis Valente e a Via Regional – permanecem com obras inconclusas. Dadas como prontas, as duas primeiras vias de acesso da capital baiana foram inauguradas pelas administrações anteriores do Estado, em 2001 e 2005, respectivamente, e a Via Regional está com as obras paradas desde 1985.

 

Em Cajazeiras, por exemplo, apenas 300 metros separam o final da Avenida Assis Valente, no fim de linha do bairro da Boca da Mata, à Estrada Velha do Aeroporto. A via de acesso, que tem 5,5 quilômetros de extensão, custou R$ 5.948.000 aos cofres do governo baiano e foi inaugurada em 2005. No entanto, não funciona como elo de ligação e de escoamento do tráfego entre Cajazeiras e Fazenda Grande.

No outro lado da cidade, entre os bairros de São Marcos e Sussuarana, a Avenida Gal Costa, construída no Vale do Rio Pituaçu, é outra que fica no “meio do caminho”. Inaugurada em dezembro de 2001, a via custou R$ 18 milhões e deveria fazer a ligação da Avenida Paralela à BR-324. De um lado, termina a pouco mais de 200 metros da Paralela – nos portões da Estação Elevatória de Tratamento de Esgoto de Pituaçu. Do outro lado, chega até a Estrada da Mata Escura, a cerca de um quilômetro da rodovia BR324.

Já a Via Regional, cuja função era a de ligação da Avenida Paralela, através da Avenida San Rafael, à BR-324, na altura do bairro de Águas Claras, teve as obras paralisadas em 1985. Faltam pouco mais de 500 metros para chegar à rodovia. Abandonada nos últimos anos, o leito asfáltico foi ocupado por cerca de 400 casas e o acesso à BR-324 tem que ser feito por uma via estreita que passa por dentro do bairro de Águas Claras.

INACABADA – A Avenida Assis Valente foi a última via de tráfego construída em Salvador. Ela começa na confluência da Estrada do Coqueiro Grande, em Fazenda Grande II, e termina no fim de linha do bairro da Boca da Mata, cinco quilômetros adiante, em meio a mato e buracos da Estrada da Barragem, como é chamado o acesso para a Barragem de Ipitanga II e a Estrada Velha do Aeroporto.

Nos planos da Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia, não há quaisquer prazos de conclusão dos 300 metros que separam a avenida da Estrada Velha do Aeroporto. “Trata-se de uma outra obra, cujo custo é elevado e que não tem orçamento previsto”, diz o coordenador de Obras e Fiscalização do órgão, Luiz Senkins. O mesmo destino tem a Avenida Gal Costa, que para ser concluída depende da desapropriação de uma área de 300 metros até a Avenida Paralela, onde fica uma Estação de Tratamento de Esgoto da Embasa. “Não há previsão de conclusão”, avisa Senkis.

Aparentemente numa situação privilegiada em relação às duas outras avenidas, a Via Regional, que começa no bairro de São Marcos, no final da Avenida São Rafael, e vai até o bairro de Águas Claras, foi incluída nos projetos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) para Salvador.

Porém, a obra na Via Regional está incluída no planejamento a partir do próximo ano. A avenida foi interrompida há 22 anos, a menos de 500 metros do seu destino final: a BR-324. Parte do leito asfáltico e traçado da avenida foram ocupados, nos últimos anos, por moradias de baixa renda. Agora a Conder planeja remanejar essas famílias para outras áreas e incluiu a obra no PAC, utilizando recursos para infra-estrutura e habitação que deverão ser destinados pelo Governo Federal para a capital baiana.

Local temido no bairro de Águas Claras, pela fama de violência e por ser uma área de “desova” de corpos, o final da Via Regional, hoje rebatizado de Rua Avani Piton, está ocupado por cerca de 400 famílias. A dona de casa Ana Neide Correia de Andrade, que mora no local há 16 anos, explica que já foi cadastrada pela terceira vez, em sucessivos projetos de reurbanização anunciados para o local. Nada, até agora, foi feito.

Por sua vez, a Avenida Assis Valente, entre os bairros de Boca da Mata e Estrada Velha do Aeroporto, é vista como um elefante branco por por moradores e por quem transita de veículo pelo local. “A avenida termina no meio do mato”, diz o analista de sistema Ruy Dias Alves, de 60 anos. No projeto que originou a construção, constava que a avenida deveria ligar a região de Cajazeiras à Estrada Velha do Aeroporto, e, posteriormente, ao bairro de São Cristóvão. “Aqui é área de desova de corpos e de lixo”, diz o aposentado Antonio Carlos Conceição Lima, 67 anos, informando que entulho é trazido de outros bairros e deixado próximo ao caminho de acesso à Barragem de Ipitanga II, da Embasa.

Obras estão fora do orçamento

A situação de vias de acesso, como a Avenida Gal Costa, ainda está totalmente indefinida.

Levando em conta o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano de Salvador (PDDU), a pista deveria fazer a ligação com a Avenida Paralela e a Estrada Velha do Aeroporto, por meio da Via Regional. Empossado no dia 21 de maio, o secretário municipal de Transportes e Infra-estrutura de Salvador, Pedro Dantas, substituindo Nestor Duarte, informou, através da assessoria de imprensa, que os projetos relacionados a dragagem de rios e canais, contenção de encostas e pavimentação de ruas aguardam a liberação de verbas do Ministério das Cidades.

Ainda segundo a assessoria, o novo secretário deverá anunciar, em breve, o montante dos recursos que serão aplicados nos bairros da capital baiana. Dantas não quis tecer comentários sobre o planejamento do antigo secretário de Transportes e Infra-estrutura nem adiantar quando se dará a liberação de recursos para obras.

Conforme explicou o coordenador de obras da Conder, Luiz Jenkins, a concepção inicial da Avenida Gal Costa incluía também a construção de rede de esgotamento sanitário nos bairros de Pau da Lima, São Marcos e Sussuarana. A obra fazia parte do programa Pró-Sanear e teria apenas uma via de acesso margeando o rio e tratamento de esgotos de 456 casas na área.

PINICÃO – A mesma situação é da Avenida Assis Valente, em Cajazeiras. Ali a Embasa pretendia construir bacias de decantação de esgotos (os chamados pinicões) e precisa construir uma via de acesso para máquinas. “Imaginamos que por ser uma área despovoada, a obra poderia servir de motivo de invasões”, explica Jenkins.

Já a Via Regional, que falta concluir pouco mais de 500 metros para que chegue à BR-324, está parada desde 1985.

Hoje, não há, na Conder, informações detalhadas sobre o projeto inicial.

RUA LÚCIA Fica localizada nas imediações da Avenida Gal Costa, no bairro de São Marcos. A via é um exemplo de obra anunciada e que jamais foi iniciada pela Prefeitura do Salvador. No local, existe até uma placa de anúncio da pavimentação. Consta no cadastro da prefeitura que a Rua Lúcia está totalmente asfaltada.

AVENIDA ASSIS VALENTE Apontada como concluída em dezembro de 2005, entre os bairros de Fazenda Grande II, Boca da Mata e a Estrada Velha do Aeroporto.

Extensão – 5,5 km. Situação atual – Trecho interrompido a menos de 300 metros da Estrada Velha do Aeroporto.

AVENIDA GAL COSTA Iniciada em 1988 e dada como concluída em 2001.

Projetada para ligar a Avenida Paralela à BR-324. Extensão – 8 km do Vale do Rio Pituaçu, passando por São Marcos, Pau da Lima e Sussuarana. Situação atual – Interrompida a menos de 300 metros da Avenida Paralela, na Estação da Embasa.

VIA REGIONAL Paralisada desde 1985. Começa na rotatória de São Marcos e termina em Águas Claras. Percurso – São Marcos, Canabrava, Sete de Abril, Cajazeiras e Águas Claras. Extensão – cerca de 6 km. Situação – Trecho final ocupado por 400 casas. O que falta – Aproximadamente 500 metros na ligação com a BR-324.

Fonte: Jornal A Tarde

ADILSON FONSÊCA

darocha@atarde.com.br

Em 4/06/2007

 

 

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